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Guerrilha do Araguaia: ossada X-2 pode ser de Bergson Gurjão Farias  

A ossada do cearense Bergson Gurjão Farias, primeiro militante do PCdoB morto, em 2 de junho de 1972, na Guerrilha do Araguaia e ex-estudante de Química da Universidade Federal do Ceará, pode estar guardada num armário da Secretaria Especial de Direitos Humanos, no anexo do Ministério da Justiça, em Brasília. É o que indica o parecer emitido, na última semana, pelo perito Domingos Tocchetto, a pedido da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Tocchetto analisou relatórios, fotografias e o antropológico forense, documento produzido por uma equipe de peritos argentinos, que recolheu corpos de supostos guerrilheiros no Araguaia. No parecer, o perito afirma que detalhes como a arcada dentária, lesões na mastóide e num dos braços da ossada analisada coincidem com informações prestadas por familiares dos guerrilheiro aos argentinos, que deram ao corpo retirado do Cemitério de Xambioá, em Tocantins, a identificação de X2.

Caso a confirmação ocorra e os restos mortais de Bergson Gurjão Farias voltem para o Ceará, o PCdoB, junto à família do guerrilheiro, prestará homenagem ao colega, segundo o advogado e diretor estadual do partido, Benedito Bizerril.

“A localização dos restos mortais dos guerrilheiros é muito importante. No caso dos ossos encontrados, ainda é necessário algum tempo para que perícia definitiva identifique. Será um momento muito especial para toda a geração dos anos 1960. Bergson foi um companheiro importante para o Ceará, liderança estudantil, que foi para a guerrilha e tombou na luta. Além disso, a família merece dar uma sepultura digna ao ente querido”, frisa. Para o advogado, a identificação da ossada representa um resgate essencial para a história do Brasil.

Para obter a confirmação, o perito Domingos Tocchetto sugeriu a nomeação de uma junta de peritos especializados em análise forense e o recolhimento de informações sobre o histórico de Bergson Gurjão Farias para realizar um confronto através dos métodos antropométricos e somatométricos.

Ele também afirmou que, apesar do tempo, é possível fazer o teste de DNA, que seria extraído dos dentes ainda preservados da ossada e confrontado com o sangue colhido pela Comissão de Mortos e Desaparecidos, ligada à Secretaria, de três familiares de Bergson.

Tocchetto sustenta que peritos argentinos recuperaram, em 2003, 21 dentes da arcada dentária dos ossos retirados, em 1996, de uma cova do Cemitério de Xambioá, onde os moradores dizem que Bergson Farias foi enterrado.

Segundo ele, alguns dentes estavam em bom estado de conservação e poderiam também ser confrontados com a ficha dentária do guerrilheiro que, antes de seguir para a Guerrilha do Araguaia, fez tratamento em São Paulo.

História

O guerrilheiro foi morto numa emboscada, depois de trocar tiros com um pelotão de pára-quedistas e acertar o então tenente Álvaro Pereira, hoje general da reserva e um dos ideólogos das Forças Armadas. Revoltada com a ousadia, o resto da tropa trucidou o guerrilheiro. Seus companheiros contam que, o corpo, já sem vida, foi perfurado a estocadas de baioneta e, depois, pendurado de cabeça para baixo em uma árvore da base militar.

Fonte: Diário do Nordeste

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1 Comentário:

  • Dr. Otoniel Ajala Dourado  
    30/09/2009 14:38

    SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ:

    Prezados amigos, informamos que a SOS - DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - Ceará, ajuizou no ano de 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que informem a localização exata da COVA COLETIVA onde enterraram os 1000 camponeses católicos assassinados pelo Exército brasileiro e pela Polícia MIlitar do Ceará, no GENOCÍDIO praticado no Sítio da Santa Cruz do Deserto / Sítio Caldeirão, em Crato, no ano de 1937, bem como, indenização à todas as vítimas sobreviventes e familiares.

    É de pasmar que enquanto a Universidade Federal do Ceará envia pessoal para procurar os restos dos corpos dos guerrilheiros mortos no ARAGUAIA, na CHAPADA DO ARRARIPE, interior do Ceará, há uma COVA COM 1000 camponeses católicos esquecidos por serem apenas meros nordestinos.

    Seria discriminação?

    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288
    Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
    www.sosdireitoshumanos.org.br

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