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Jovens de todo o mundo: Movê-los!  

Por Flaviene Vasconcelos*

Há pouco mais de 40 anos, uma "ingênua" manifestação liderada por estudantes de uma universidade francesa se tornaria, tempos depois, um dos maiores movimentos revolucionários que o mundo já presenciou.

Embora a conotação política, que atraiu uma gama de intelectuais, operários, artistas e uma parcela das camadas populares, o Maio de 68, como ficou conhecido posteriormente, alcançou proporções inimagináveis. Ditou moda, comportamento, lançou estilos e se espalhou pelo mundo. De lá pra cá, a vida em sociedade nunca mais foi a mesma. A sexualidade, tabu desde a idade média, se tornaria a linguagem universal da juventude.

"Quero mudança total, uma idéia genial... A ciência e o amor, a favor do futuro..." (Ana Carolina)

Somos os herdeiros de primeira linhagem dessas mudanças, no entanto, no trajeto de 68 para cá, algo inusitado aconteceu. As relações heterossexuais, de uma considerável parcela dos habitantes do planeta, deram lugar ao amor sem fronteiras. Essa alteração no comportamento é advinda de uma liberdade há muito não experimentada, contudo, temos condições de afirmar que está aquém dos anseios de uma sociedade contemporânea, que clama por respeito e igualdade de oportunidades.

Mundo afora, surgem milhares de movimentos organizados com o objetivo de trabalhar a visibilidade de uma minoria que se mostra e cresce a cada dia. O MOVÊ-LOS - Movimento pela Livre Orientação Sexual nasce desse contexto. Temos a responsabilidade de avançar com os limites impostos para a nossa geração, assim como a juventude de 68 fez em Maio daquele ano. Resta-nos fazer uma releitura de suas conquistas, que se adéque a nova realidade, pois fazendo jus à ousadia, característica marcante da juventude, não nos caberia o papel de telespectadores diante do feito grandioso da geração anterior. Queremos e podemos ir além!

"Vamos precisar de todo mundo, pra banir do mundo a opressão..." (Beto Guedes – O sal da terra)

Infelizmente, discutir a intolerância está na ordem do dia. Há uma parcela da sociedade, alienada por um sistema padronizado de cultura, baseado na relação entre dominado e dominador, que teima em não respeitar a diversidade.

Cerca de 10% da população brasileira é homossexual e a cada 3 (três) meses 1 (um) é assassinado. São cidadãos expostos à agressões físicas e morais todos os dias e em todos os espaços sociais. Como resultado, temos um conjunto diferenciado de conseqüências, todas permanentes, seja o trauma de uma lesão física ou material ou, nas amostras mais violentas, a perda pelo óbito.

"Consideramos justa toda forma de amor." (Lulu Santos)

A sociedade, omissa diante dos inúmeros casos de desrespeito aos direitos humanos, garantidos pela constituição, é tão leviana e responsável quanto ao alienado que comete o crime. Restabelecer o conceito de cidadania sem distinção é um desafio. Homofobia é crime e precisa ser combatida.

Contudo, compreendemos que a amálgama de toda opressão está no padrão capitalista vigente. Acreditamos que a construção de um mundo novo, sem discriminação de qualquer ordem, só será possível em outra sociedade, que garanta direitos e oportunidades iguais para todos. É nesse sentido que o Movê-los também luta pelo socialismo.

*Flaviene Vasconcelos é estudante de Ciências Sociais da UFC e militante da União Brasileira de Mulheres - UBM.

Para saber mais sobre esta entidade, visite o Blog do Movê-los.

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4 Comentários:

  • André de Pádua  
    12/03/2009 21:06

    Gostei do trocadilho do título com a frase famosa do manifesto comunista.

    Trabalhadores do mundo: uni-vos!

    Jovens do mundo: movê-los!

    Muito boa!

    Concordo quando vc afirma que a luta contra o preconceito não deve estar dissociada da luta contra o capitalismo. É esse mesmo sistema perverso que ridiculariza os gays na TV e no Cinema, são seus políticos no congresso que lutam contra a obtenção de direitos básicos nossos como cidadãos, casamento, adoção, a entrada no exército, etc.

    Parabéns ao blog e a flaviene pelo texto.

  • Flaviene Vasconcelos  
    12/03/2009 23:21
    Este comentário foi removido pelo autor.
  • Flaviene Vasconcelos  
    12/03/2009 23:23

    Opa! É isso aí André, na verdade esse título contém um trocadilho duplo. Faz a referência à famosa frase de Marx, mas tb chama a atenção da juventude para a sua responsabilidade de mudar o mundo, abalar suas estruturas, movê-lo... Nesse sentido, acredito que estamos fazendo a nossa parte. O que vc acha?

  • claudinha  
    13/03/2009 00:43

    Saudações revolucionárias!

    Primeiramente parabenizar Flaviene por essa linda postagem e também aqueles que fazem brilhantes comentários e acrescentam o debate.

    Nossa sexualidade precisa ser respeitada, livre de dogmas e de visões conservadoras.Não nos oferecem educação sexual nas escolas e não temos acesso a métodos contraceptivos, muitos jovens são vitimatizados pela AIDS independente de orientação sexual, por falta de informações e meios de prevenção. No Brasil a sexualidade é banalizada e reproduz o machismo (levando várias mulheres a ter uma gestação indesejada, abortando no fundo dos quintais, sendo violentadas e outras violencias) e a homofobia(Que mata, fere a alma, nos tira a dignidade, somos vistos como anormais, doentes).Temos que mudar essa realidade e fazemos isso com nossas ações diárias, não aceitar as ofensas,a melhor maneira é debater diariamente com a sociedade, mostrar que não é doença, não é anormalidade, dizê-las que existem várias formas de amar e a nossa deve ser respeitada pois é justo e digno toda forma de amor!

    Claudinha
    Presinta do MOVÊ-LOS

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