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Homenagem ao poeta Patativa do Assaré e ao PCdoB  

A poeta popular Rita Lisboa escreveu um cordel homenageando o centenário de Patativa do Assaré e os 87 anos do PCdoB. Um belo exemplo de cultura popular e socialismo, irmanados pelo verbo singelo do povo na luta contra a opressão.

O grande poeta cearense não foi apenas o mais sublime cantor das belezas do sertão, apesar do que pensam os desavisados, mas foi também um homem de espírito crítico aguçado, cuja obra estava sempre antenada com os problemas sociais do Brasil. O cordel de Rita Lisboa conta, de maneira sucinta, um pouco da história de vida de Patativa, para no final tecer uma sutil relação com o partido dos trabalhadores do campo e da cidade, o partido da foice e do martelo (confiram o poema na continuação da matéria).

Senhores peço licença
Para essa história contar
De um poeta do povo
Nascido no Ceará
É nosso dever portanto
Seu nome imortalizar.

Na cidade de Assaré
Mil novecentos e nove
Nasceu Antonio Gonçalves
Cuja história nos comove
E sua luta e coragem
Não há ninguém que reprove

Filho de família pobre
Não teve como estudar
Perdeu o pai muito cedo
E precisou trabalhar
Pegou no cabo da enxada
Pra família sustentar.

Ficou cego de um olho
Ainda quando criança
Diante dessa tragédia
Não perdeu a esperança
E esse triste episódio
Quis apagar da lembrança.

Mesmo não indo a escola
Gostava muito de ler
Leu Camões, leu Castro Alves
Queria sempre aprender
Leu também Gonçalves Dias
Pra aumentar o seu saber.

Patativa é um pássaro
De canto enternecedor
Ave típica do Nordeste
Também grande cantador
Daí veio esse apelido
Que lhe deram com amor.

Ao sair da adolescência
Passarinho quis voar
E viajou para o Norte
Para o Estado do Pará
Pegou a sua viola
E cantou o Ceará.

Cantou a Triste Partida
De quem deixou seu torrão
E seguiu para São Paulo
Na maior desolação
Fugindo do monstro horrendo
Que é a seca no sertão.

Cantou também o Nordeste
A pobreza do sertão
O camponês explorado
Pela gana do Patrão
Denunciou a miséria
A fome e a opressão.

Cantou coisas do sertão
Alegria e tristeza
Cantou a seca que traz
O aumento da pobreza
Mas também cantou o inverno
Que traz o verde e a riqueza.

Ele hoje é estudado
Em grande Universidade
Em Sorbonne la na França
Contam a sua verdade
Seu nome é reconhecido
No sertão e na cidade.

Patativa no seu canto
Defendeu a liberdade
Lamentou a quem emigra
Do Sertão para a cidade
Igual a outro gigante
Com a mesma realidade

O nosso PC do B
Que é da foice e do martelo
Patativa que é da enxada
É curioso esse elo
São defensores do povo
Do Brasil verde e amarelo

Ambos nasceram em março
E construíram a história
Defendendo uma só bandeira
Com grande luta e vitória
Pois são muitas as conquistas
Que se guarda na memória.

Para o povo brasileiro
Que é um povo varonil
São dois grandes expoentes
Debaixo do céu de anil
Patativa do Assaré
E o P C do Brasil.

Texto introdutório por David Aragão, Sec. de Comunicação da UJS Ceará. Poema publicado originalmente no site do Senador comunista Inácio Arruda.

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2 Comentários:

  • Flavio  
    12/03/2009 22:55

    Toda homenagem ao poeta Patativa do Assaré é pouco perto do que ele representa para o povo brasileiro, sobretudo o sertanejo nordestino. Patativa é a prova de que é possível superar seus limites e voar alto.

  • Flaviene Vasconcelos  
    12/03/2009 22:58

    A Rita é daquele tipo de mulher preciosa. Só uma alma sensível seria capaz de "poetar" tantas verdades de forma tão espontânea. Lendo seus versos, nem parece ser difícil escrever. Na verdade, a poesia popular é fácil de ler, mas tente fazer...

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